De acordo com oncologista do IHOC, os últimos medicamentos da imunoterapia são uma das grandes inovações da oncologia nas últimas décadas

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A oncologia começa a ganhar mais batalhas contra o câncer. Isso é o que mostra um estudo divulgado na reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), ocorrida nos Estados Unidos em junho, que apresentou avanços promissores com o uso de medicamentos mais modernos na imunoterapia – um dos tratamentos realizados no combate à doença. Entre os resultados, pacientes com melanoma que utilizaram esses medicamentos tiveram uma sobrevida de três anos, que antes dessa medicação era inferior a um ano.

De acordo com o oncologista Elge Werneck Júnior, do IHOC – Instituto de Hematologia e Oncologia Curitiba, esses novos imunoterápicos são uma das primeiras grandes inovações na área oncológica em décadas. “A oncologia sempre está pesquisando novas tecnologias e tratamentos, mas os resultados costumam oferecer benefícios muito pequenos. Esses últimos estudos da imunoterapia apresentaram dados consistentes e ganhos de sobrevida relativamente animadores, que incentivam o desenvolvimento dessa estratégia terapêutica”, afirma.

Utilizar o próprio sistema imunológico a enfrentar o câncer é algo que a oncologia tenta fazer há mais de uma década com a imunoterapia. Por meio de medicamentos, o organismo do paciente é estimulado a identificar e combater as células tumorais. “Contudo, os imunoterápicos desenvolvidos antes não conseguiam uma eficácia tão mais específica quanto esses novos, que identificam algumas características das células tumorais, fazendo com que o sistema imunológico aja de uma forma mais direcionada, tornando o tratamento mais eficaz”, conta o oncologista.

Por enquanto, os principais resultados foram em tratamentos de câncer de pulmão e melanoma. Mas, com os ganhos terapêuticos que já foram demonstrados, o oncologista prevê que a imunoterapia ainda beneficiará o tratamento de diversos tipos de câncer. “Sabemos que o portfólio de medicamentos da imunoterapia não vai parar de crescer, pois já começaram a ser utilizados em outros cânceres, como o de bexiga. Isso é muito animador, pois já conseguimos ver perspectivas de tratamento muito melhores para os pacientes”, salienta Elge Werneck Júnior.